A.Tavares Chula Colaborador
Mensagens: 72 Data de inscrição: 06/09/2009 Localização: Agueda
 | Assunto: Como eu sonhei o Botaréu e a resposta que a Câmara não deu Seg Set 21, 2009 1:02 pm | |
| O Botaréu, que muitos pretendem esquecer, como de coisa sem glória se tratasse, tem sido alvo de muitas contradições.Muitos dizem querê-lo e amá-lo, mas nem o querem nem o amam. Outros se dizem impregnados de sentimentos saudosistas, mas não lutam pela preservação do seu nome. E hoje o Botaréu só existe no pensamento e coração dos que o viveram.Quando estes morrerem, só ficará deste aprazível lugar de Águeda algumas prosas e poemas dos que tiveram a coragem e o dom de o cantar. E alguns postais e fotos a preto e branco, que se vão perdendo no tempo. E o Botaréu, às gerações vindouras, não dirá absolutamente nada, e perguntarão o porquê do Óscar ser mais conhecido por Ribeirinho, e não Cunha Velho. Porque chamam aos atletas do Recreio Desportivo de Águeda, Galos do Botaréu. O porquê de uma marca de vinhos, duma associação, empresa de construção, a Voz do Botaréu, do saudoso Tenente Flores, a linda valsa das Águas do Botaréu, cafés, restaurantes, etc.., que adoptaram este nome. Porquê?Quando o Botaréu era palco de muitas coisas belas, que hoje só são recordações, eu estava a despertar para a vida. Diante dos meus olhos, na fase de transição de infante para adolescente, ainda vejo as lavadeiras com as suas tripeças, e a roupa estendida na margem sul do Águeda. A Nora onde me pendurava na parte ascensional. Os milheirais regados por esta e pelo engenho da casa de Abadinhos, onde eu tocava a vaca do Ti Cónego Chula, meu avô. O Ribeirinho e uma degradada nascente, a que eu julgo chamarem a tal fonte da água milagrosa que tantas gentes “amarrou” a Águeda.Também do Cais das Laranjeiras, ainda vi as “pilhas” de lenha de conta, trazida em carros de bois ou lançada ao rio na zona serrana, e ao sabor da corrente vinha até aquele Cais, que hoje só existe nos postais, e era pescada directamente para os Mercantéis, que a transportava para terras da beira mar, donde já tinham trazido sal e pescado.Depois deste devaneio pelas tradições que fazem a história de Águeda, que começa a desvanecer-se depois dos anos 50, tradições estas que não são mitos nem lendas, mas sim verdades incontestáveis, ainda há em Águeda quem se manifeste contra a preservação do nome em causa.Mas o que mais dói, são essas personagens dizerem-se aguedenses. Refiro-me concretamente a um artigo publicado em jornal da nossa cidade, se a memória não me falha, em Junho de 2002, com o título “Largo 1º de Maio ou Botaréu”, onde o articulista de ocasião, minimizava e até adjectivando de uma forma rude e deselegante, a comissão promotora do referendo ou abaixo assinado, como lhe queiram chamar, que resultou em cerca de 600 “sins”, a favor da preservação do LARGO DO BOTARÉU.Esta parece ter sido a forma mais honesta e credível de mostrar os aguedenses que fomos, somos e queremos ser. É claro, que podiam ter enveredado por cortes de estrada ou manifestações de rua, em protesto contra o aparecimento do Largo 1º Maio. Mas se o fizessem, primeiro, seriam incoerentes com os seus quereres, porque até não são contra o dia do trabalhador, antes pelo contrário. Segundo, poderia acontecer uma caravana de autocarros vindos da margem sul do Tejo ou de outras paragens, com bandeiras em contra manifestação, e gerar-se um caos em Águeda.Ainda, segundo o articulista referido, diz ninguém ter dado a devida importância ao local, enquanto a Câmara não o tornou naquele lugar aprazível que hoje temos. Isso até tem algo de verdade. Mas, também não deixa de ser menos verdade, o facto de haver muito pouca gente em Águeda, que sabia que, por postura camarária, tinha deixado de ser Largo do Botaréu, para ser Largo 1º de Maio, após o 25 de Abril de 74.A promessaPelo que se sabe agora, foi extremamente fácil o segundo baptismo do Botaréu. O que parece mais difícil, é a reposição do seu a seu dono, porque forças mais altas se levantam. Mas o que é certo, é que o Sr. Presidente de Câmara, ainda antes das últimas eleições autárquicas, teria prometido a alguém por estas palavras: “Ou eu não seja quem sou, em como antes de terminar o meu mandato, o Largo do Botaréu será respeitado”.Ainda falando de promessas, quando da entrega, na Câmara, das cerca de 600 assinaturas, foi prometido irem rever o caso. Será que volvidos tantos meses, o tema ainda não mereceu a atenção de quem manda e pode resolver o problema?Mas mais que a promessa, é a elegância com que se trata o caso. Será que os portadores dos 600 nomes, que são munícipes deste Concelho, não merecem saber se foi ou não em vão, que expressaram o seu querer? Somos um Concelho muito rico. E a sua maior riqueza é o povo que tem. Este merece ser respeitado. A Câmara deve-lhe uma resposta pública, que ainda não deu, já que público foi o referendo.A foto PÉRGOLA DO BOTARÉU! Até podia ser verdade. É assim que eu o sonho. Infelizmente parece, mas não é. E só não o será, se os condutores dos destinos de Águeda a Linda não o quiserem.As obras não estão concluídas, e mais uns milhares de euros em tempo oportuno, não seriam tantos como os que já lá se gastaram. E em todo aquele espaço que vai até a transversal da rotunda da mulher, cabem muito bem o Largo 1º Maio, e porque não o Lago do Ribeirinho e o Largo ou a Pérgola do Botaréu, onde sempre foi.“Gregos e Troianos” ficariam muitos felizes e até nem custa nada. É só preciso ter gosto e elegância de ser aguedense, e um pouco de respeito pelo passado , que faz a história do presente e orgulho do futuro da nossa terra. E se nos vêm dizer que já lá está o jardim infantil do Botaréu, as nossas crianças dirão “Muito obrigados, mas é um rebuçado muito pequeno que mais parece querer calar os adultos”Chula d’Águeda _________________ Chula D´Agueda
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Liberdade
Mensagens: 3 Data de inscrição: 21/09/2009 Localização: Evora
 | Assunto: Re: Como eu sonhei o Botaréu e a resposta que a Câmara não deu Seg Set 21, 2009 6:16 pm | |
| Com este texto fiquei curiosa em conhecer Águeda! De facto os nossos autarcas estão cada vez mais arrogantes e prepotentes! Acham-se os maiores..... não sei no que são maiores... mas tudo bem, se eles são felizes assim! Agora, nós povos residentes, temos o direito de NÃO CALAR, e de nos MANIFESTAR quando algo não está bem ou quando algo está bem. |
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