
Não sei bem por que motivo
O cigarro me apanhou.
Só sei que casou comigo
Esse cruel inimigo
Que aos poucos me matou.
Começou por namorar-me
Quando era adolescente.
Acabou por conquistar-me
E por ele apaixonar-me
Mesmo sem ser atraente.
Hoje pergunto em vão.
Qual o gosto, qual prazer,
Qual a satisfação
De tão fatal união
Pela qual estou a morrer.
Foi ele que me escravizou,
Não tomei uma atitude.
Tanta gente me avisou,
Na penúria me deixou
E arruinou-me a saúde.
Eu que tenho apego à vida,
Vejo que a vida me foge.
Sinto uma raiva incontida
Por uma vida perdida...
Se eu soubesse o que sei hoje...
...A quem me dava conselhos
Eu tinha dado atenção.
Por não ouvir os mais velhos,
Aos mais novos aconselho.
Vida sim, tabaco não.
Chula d’Águeda
Outubro 2003
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Chula D´Agueda