As Noras do Rio Águeda
São retratos vivos da minha saudade
São os ecos das lembranças
Que trago comigo da mocidade
Ouço o murmúrio das águas
Por entre os salgueirais
A nora carpindo mágoas
Solta suspiros e ais.
Canta o melro na silveira
Já se ouve a cotovia
E a nora sem canseira
A rodar de noite e dia.
Roda a nora, roda a nora
Roda a nora sem parar
Quando mais a nora roda
Menos água vai para o mar.
Roda a nora, gira, gira
No seu eterno girar
Quanto mais água ela tira
Mais milho ela vai regar
O balde ao subir vai cheio
Quando desce vai vazio
E a nora no seu caneiro
Vai roubando a água ao rio
Enquanto o rio veloz
Vai de levada para o mar
Fica a nora triste e só
Sempre a rodar, a roda
De manhã antes d’aurora
Quando ainda faz orvalho
O lavrador e a nora
Já andam no seu trabalho
Hoje a nora é Saudade
Dos tempos que já lá vão
A mocidade não sabe
Que trabalho dava o pão
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Chula D´Agueda