GOSTAVA DE SER POETA
Gostava de ser poeta!
Cantar o cheiro da flor,
De ser sensivel à dor,
Ter um pouco de tineta
P’ra fazer versos dámor.
Ouvir cantar as sereias,
Saber contemplar o mar.
Ò quem me dera cantar
As noites de lua cheia
Divinizar o Luar.
Poeta queria ser
Tal como foi Camões,
Que inebria multidões
Com versos de enternecer
Os mais duros corações.
Ou ser como o Aleixo
Poeta pobre e tão grande
Nessa obra importante
Que é “O livro que vos deixo”.
Ser Omero, ser Cervantes…
Ó musas de tais Gigantes
Que hoje são imortais
Porque me abandonai
Mas se Poeta não sou
E poeta gostava de ser…
Se for capaz d’entender
A candura das crianças,
Ou descobrir quanta esperança
Há nos adolescentes
E o mistério das sementes
D’árvores rompendo os céus…
E se eu nos versos meus
Retratar a côr e p encanto
Que há nos lírios do campo,
Se eu souber escutar
O canto do rouxinol.
Se aurora e pôr-do-sol
A minha alma fascinar,
Se uma estrela a brilhar
No infinito firmamento
For digna do meu olhar
Me causar encantamento,
Se eu descobrir que amar
É a Pedra Angular
De quem o mundo arquitecta…
Então sim. Serei Poeta!
Chula d’Águeda
Janeiro/97