Urgeira, monte serrano
Onde o sacro e o Profano
Se casam, se mistificam
Por milagre ou ficção
Muitos Romeiros lá vão
Fascinados todos ficam
Tão ascentral romaria
Á nossa Senhora da Guia
É a fé subindo a serra
o Forno Comunitário
Hoje é como um Santuário
Para o povo daquela terra
Dizem, no tempo da fome
Com muita fé certo homem
No forno aquecido entrou
O Tecto tinha a sua altura
E apesar da temperatura
O Homem não se queimou
"Levava um cravo ao peito
E nem o cravo murchou".
Por veredas e atalhos
Sabe Deus com que trabalhos
A pé, com seus farnéis
Hoje, há novo monumento
Que é fruto dum juramento
Da família Duarte Reis.
Os ursos e as tradições
Verdegaios e Malhões
Ecoam p´la serra além
Ainda trago nos sentidos
Alguns cânticos queridos
Cantados á Virgem Mãe.
Os "Serranos" deram vida
A essa romaria antiga
De tão pura tradição
HOje quem vai á Urgueira
Guarda p´ra vida inteira
Uma grata recordação
Vai cada grupo á partida
Na hora da Despedida
Cantando descendo a serra
A Canção da nostalgia
Da saudade, da magia
"É tão linda a minha terra
Linda aldeia de Encantar
O Sol nasce lá na serra
E Pôe-se á noite no mar ..."
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Agosto de 98
Chula D´Águeda